A música nas páginas da Capricho de 2005

De bobeira em casa, nas férias, comecei a revirar umas revistas antigas e pinçar algumas coisas de um passado não tão distante que achei bastante curiosas. Na revista Capricho dos meus anos dourados da adolescência (2004/2005), aprendíamos que pagar meia com a carteirinha de estudante era um direito, que poderíamos sobreviver ao bullying porque o galã da Malhação também já tinha sofrido e recebíamos, em toda edição, fotos de meninos bonitos, as coisas que eles gostavam e o endereço do MSN deles (pra que Tinder?). 

Mas o mais legal foi pinçar algumas referências musicais. Em uma época na qual ficávamos ansiosos pelos nossos clipes favoritos nas paradas do Disk MTV porque YouTube não era uma coisa tão presente em nossas vidas, esperar uma revista chegar todos os meses também era uma grande forma de nos mantermos atualizados, em linhas mais profundas, sobre os artistas do momento. Apesar de a rapidez da internet ajudar, creio que sinto uma saudade tremenda desse tempo.

A mudança da linguagem para as revistas adolescentes dos dias de hoje é digna de um estudo. Mas, por enquanto, eu vou de lista mesmo.



1 - Oasis

Na edição de Dia dos Namorados, Dinho Ouro Preto, enquanto colunista, comemorava o fato de ter sido um dos primeiros a receber o novo disco do Oasis. O disco em questão era Don't Believe The Truth, dos sucessos Lyla e The Importance Of Being Idle. À época, Dinho definiu o lançamento como "quase tão bom quanto Definitely Maybe (o disco de estreia dos irmãos Gallagher). Menos amor e mais, digamos, desconforto".


2 - The Killers

"A banda se chama The Killers - os assassinos - mas o vocalista vai à igreja todo domingo". Foi assim que a Capricho introduziu a banda de Las Vegas em suas páginas, que trouxeram uma curta entrevista com Brandon Flowers após o sucesso de Somebody Told Me e Mr. Brightside, pérolas de Hot Fuss (2004) que figuraram por um bom tempo nas saudosas paradas de clipes da MTV. Na época, Flowers disse que adoraria tocar no Brasil, mas que ainda não havia surgido nenhum convite. O vocalista ainda cita Maná e Luis Miguel, mexicanos, como nomes que conhece da música brasileira.

3 - Danni Carlos

Namorada de Gabriel Braga Nunes à época, Danni Carlos aparecia nas páginas dizendo que escrevia suas próprias músicas, mas que aceitava numa boa o sucesso cantando as músicas de outras pessoas. É que a futura participante de A Fazenda fazia sucesso com versões. Suas preferidas, em 2005, eram Purple Rain (Prince), I Was Born To Love You (Queen) e Like a Virgin (Madonna).


4 - O Estilo Emo

Em 2005, a Capricho retratou em uma edição o estilo Emo, o que não agradou muito os adeptos de outrora ("Afinal, o que vocês pensam que é emocore? MÚSICA! E não maneira de se vestir... Isso me deixou um pouco mal, devido a eu ser emo, ouvir emo. Agora veremos menininhas ridículas se vestindo como tal, com munhequeira e cinto de rebite, dizendo que ama The Used, Finch, munhequeira e cinto de rebite", reclama a leitora Priscilla Muniz). Mas a edição é vista como um divisor de águas para o estilo no Brasil. Editor-chefe da Bizz na época, Ricardo Alexandre defende em uma edição a ideia de que o punk nasceu numa butique, respondendo à mensagem de Priscilla. "Emocore é pra todos ou só pra mim, que conheço as bandas mais secretas do mundo? (...) Ainda mais hoje, quando basta um clique para conhecer The Used ou Finch... Os "honestos" vão chamar de "movimento". Os cínicos, de moda. Eu chamo de caminho natural das coisas".

5 - O B5 está bem diferente

A banda de meninos que arrancava suspiros e tentava conquistar a Sthefany Brito no clipe de Matemática parecia se aproximar da estética emo após lançar o single Só Mais Uma Vez. "Quem prestou atenção em Só Mais Uma Vez, música que puxa o segundo álbum (batizado de Novo) notou uma certa pegada emo. O quinteto sempre curtiu um rock mais alternativo", destaca a coluna de José Flávio Junior na revista. Aproveitando essa nova fase, os meninos da banda resolveram apontar algumas dicas musicais. Luis Felipe escolheu Faso Latido, do A Static Lullaby, Bê ficou com Lullabies To Paralyze, do Queens Of The Stone Age, Léo destacou Tomcats Screaming Outside, álbum solo de Roland Ozarbal, do Tears For Fears, Edu escolheu Mesmerize, do System of a Down e Lucas diz que gosta muito de My Chemical Romance, mas indica In Love and Death, do The Used.

6 - Felipe Dylon

Era o auge do nosso menino do Rio. Nas edições encontradas, ele aparece apenas na seção de fotos-de-famosos-fazendo-alguma-coisa-relevante (na edição em questão, via sua própria foto em uma exposição no Rio Sul, no Rio de Janeiro), mas a relevância de Felipe Dylon para essa geração, mesmo que não tenha sido levada para lugar algum, foi imensa. Só podemos esquecer os meninos que faziam luzes ou passavam parafinas no cabelo para ficar parecidos com ele.

0 comentários:

Postar um comentário