Mostrando postagens com marcador alabama shakes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alabama shakes. Mostrar todas as postagens
Com The Black Keys, Queens Of The Stone Age e Alabama Shakes, festival de Perry Farrell traz a verdade sobre um festival de música

por Izadora Pimenta

Patrick Carney, dono do meu coração (Piervi Fonseca/Divulgação Lollapalooza)


Os frequentadores de festival de música sabem de várias coisas, como o fato de que você deve ter uma boa cartela de Dorflex te esperando no dia seguinte e de que as boas e velhas galochas, que sempre esquecemos de comprar, são importantes. Afinal, é preciso passar por muito perrengue para garantir a experiência por completo - assistir a vários shows, encontrar os amigos, beber cervejas nacionais por um preço exorbitante e por aí vai. E todas essas máximas valeram para o segundo dia de Lollapalooza Brasil, mas o festival de Perry Farrell conseguiu trazer, nesta data, uma experiência que, por vezes, fica esquecida: a de ir a um festival para ouvir música boa, fazendo com que o resto seja supérfluo.

Já passei por Rock In Rio, Planeta Terra, os extintos SWU e Natura Nós e sempre achei que uma coisa ou outra não estava no lugar. O último Terra, por exemplo, apesar de boas apresentações de bandas como Best Coast e Garbage, foi um samba do criolo doido - um line-up completamente sem nexo, bandas frias e sem sal, nada que fizesse resgatar o amor contido em assistir a um bom show. Mas no último dia 30 de março, quando algumas coisas já pareciam sem esperança e a lama encobria todo o meu Nike, Gary Clark Jr. deu o primeiro acorde em sua guitarra e o início de um show de gente muito, mas muito foda. 

Brittany Howard, senhoras e senhores! (Flavio Moraes/G1)

Adentrei o Jockey no finalzinho do show do Ludov, que vem a ser também uma das minhas bandas nacionais favoritas. Pelo pouco que vi, eles cumpriram bem a função de abrir os trabalhos por ali, apoiados pelos fãs que os acompanhavam. Quem também fez direitinho o seu papel foi Toro Y Moi. Talvez Chaz Bundick tenha ficado mais isolado do que no Planeta Terra 2011, mas a honra de tocar no palco principal foi merecida - ainda mais quando ele nos trouxe suas músicas com uma vibe mais disco: é aí que ele acerta pra caramba.

Na corrida para o palco alternativo, deu para chegar na grade de Gary Clark Jr. sem esforços. E que homem é Gary Clark Jr., senhores? Que absurdos ele não é capaz de fazer com uma guitarra? Uma pena que, no mesmo horário, estivesse rolando também o Tomahawk de Mike Patton, algo que perdi, queria muito ter visto, mas fiquei sabendo que foi igualmente incrível. Pronto: estava dada a largada da awesomeness.

Uma pena que tal largada tenha sido um pouco broxada pelo Two Door Cinema Club. A banda tem a cara de tocar em um festival no fim de tarde mesmo, com todo mundo pulando ao som de hits como What You Know e Undercover Martyn, mas quebrou um pouco o ritmo. Two Door Cinema Club não é uma banda ruim, mas só não é uma banda inesquecível. Não é uma banda para se invejar. É só uma banda que faz umas musiquinhas legais. Mas logo depois teve ela. Brittany Howard.

Brittany Howard, por alguns instantes, passei a desejar ser como você. Depois, fiquei imaginando como seriam seus filhos com Gary Clark Jr., e saiba que estou dando todo o tipo de força para que esse casal seja concretizado - espero que vocês tenham trocado telefones nos bastidores e que esse filho, ao menos, venha em forma de uma música, já serve. Por fim, fiquei apenas de boca aberta. Você é incrível, Brittany. Você não precisa mais esperar. Seu coração e sua mente já estão abençoadas, e você traz isso em palco perfeitamente. O mundo precisa de frontwomans como você: que tocam com (e na) alma. Arrependimento de ter perdido a galera do Alex Kapranos, que volta ao Brasil na semana que vem e em mais algumas  trezentas semanas à sua escolha? Nenhum (só que também me disseram que foi um bom show).

Josh Homme (Flavio Moraes/G1)

No Queens Of The Stone Age, meus feromônios (e de todos os presentes, homens e mulheres) não puderam deixar de captar o fenômeno que é Josh Homme. Um Deus para todos - das mais diversas formas, das mais diversas interpretações. E o show da banda ajudou a cravar ainda mais o quão incrível era o dia. Som perfeito, som ensurdecedor. Para desmentir aquela ladainha de que uma boa banda de rock tem que tocar cagado por aí. Uma boa banda de rock tem que saber fazer direito. Anytime, anywhere. Jon Theodore, que agora assume as baquetas da banda, também impressiona. Um show para contar por aí que foi, batendo no peito.

Leia aqui minha resenha sobre o show do Queens Of The Stone Age



De Criolo nada vi, mas sei que ele também deve ter segurado a bronca. Se apresentar à noite talvez fosse melhor para o nosso rapper, que fez um show morno no mesmo Terra de Bundick. A ideia, neste momento, era conseguir um bom lugar para assistir aquela que seria a grande apresentação da noite: The Black Keys. E, sem querer, miramos em um lugar no qual era possível captar o som com qualidade, algo que foi muito questionado por grande parte dos presentes.

Querido leitor, o Black Keys não existe.

Que banda.

Que show.

Dan Auerback
e Patrick Carney são sensacionais. Auerback com sua voz metamórfica, capaz de nos trazer as mais diversas emoções. Sua guitarra certeira, arriscada, que conversa conosco a cada momento. E Carney... bem, eu pediria o cara em casamento. Seu jeito de tocar a bateria é contagiante. É apaixonado. Definiu bem a Marília pra mim por Twitter, que disse ter captado um comentário de que "Carney tocando bateria parece um nerd fazendo sexo pela primeira vez". E isso é incrível. Ele vai com sede ao pote. Por alguns instantes, meus olhares eram todos dele.


Ao vivo, Everlasting Light, uma das minhas favoritas da dupla, cresceu de um jeito incrível. Arrepiante. Foi de tirar os óculos de grau para deixar uma lágrima ou outra cair. Naquele momento, eu tive a certeza de que dar importância à música vale a pena. Música é uma coisa boa e apaixonante. E podemos nos sentir completamente correspondidos quando escutamos algo como o visto ontem, neste e em vários outros momentos, como o baixo marcado em Dead And Gone.

Leia aqui minha resenha sobre o show do The Black Keys


Minhas meias estão fedendo cocô de cavalo (na saída, presenciei uma menina dizendo que a lama "parecia brigadeiro" - deu vontade de pedir para ela abaixar e comer então). Todas as partes do meu corpo estão doloridas, gritando separadamente por ajuda. Mas minha alma está limpa. Meu espírito está renovado. Depois de anos de festival, fui a um único dia que valeu a pena por todos os outros - dias e festivais - por aí. Fui a um dia no qual a essência, pura e simplesmente, ultrapassou a megalomania dos eventos brasileiros. Seja lá qual tenha sido a intenção do Lollapalooza Brasil 2013 com isso, eles jogaram bonito. Gol de placa.

Editora de BACKBEAT escolhe suas favoritas do ano



por Izadora Pimenta



Depois da lista das 20 melhores faixas nacionais, venho trazer minhas preferências internacionais de 2012. Desta vez, combinei dois elementos essenciais para uma boa lista totalmente despreocupada: o primeiro, claro, foi o critério de as músicas merecerem ocupar um lugar nesta lista. O segundo, mais pessoal, pendeu para o lado das músicas que também foram boas companheiras deste ano de pedra.

Regina está na lista


Sem mais delongas, acompanhe a lista abaixo e concorde ou discorde o quanto quiser.


20 - I Wish I Was A Girl - The Vaccines


O Vaccines é uma banda a caminho de acertar os ponteiros. O segundo álbum, Come Of Age, foi uma tentativa de mostrar ao mundo que eles poderiam ser mais do que Post Break-Up Sex. Melhor: mais do que "novos Strokes" (o título deste ano ficou com o Howler. Por onde anda o Howler? Um beijo, Howler). Para isso, acertaram em canções simples, mas com a tentativa de evoluir os problemas adolescentes e encontrar outras encucações. Uma destas encucações é o desejo de ser uma garota. Não é um desejo de mudança de sexo, não é uma inveja má. É uma conversa de bar. "Olha como todo mundo gosta daquela mina, imagina ser como ela?". 



19 - Call Me Maybe - Carly Rae Jepsen


Se você não cantou este refrão alguma vez em 2012, você definitivamente não viveu 2012. A primeira vez que ele me pegou foi em uma viagem ao Rio de Janeiro - até então só havia ouvido falar da música. Depois, parece que ela me perseguiu para todos os cantos. E nós estávamos sentindo falta de uma música pop para cantar até não poder mais e depois lembrá-la em uma reunião daqui a dez anos, não é?



18 - The Sound Of The Life Of The Mind - Ben Folds Five


O sonho não acabou: a dobradinha Ben Folds/Nick Hornby veio novamente (Lonely Avenue, álbum do Folds de 2010, é todo composto por letras do Hornby), mas cedo do que prevíamos. E o resultado é The Sound Of The Life Of The Mind, presente no álbum homônimo da volta do Ben Folds Five. E como acredito que a letra é parte fundamental de uma canção (com letra, claro. O instrumental fala por si só também), seria quase injusto deixar de fora mais uma grande pérola de um dos meus escritores favoritos. Sem contar que Ben Folds Five não consegue deixar de ser bom.



17 - Lay Your Cards Out - Poliça


Primeira impressão: o nome dessa banda é bizarro. Segunda impressão: esse exagero de autotunes presentes na música é... bom demais! Repetindo minhas palavras nos Lançamentos da Semana do Rock 'n' Beats: "É como se o Portishead tivesse surgido depois do boom Strokes".



16 - Bird Of Sorrow - Glen Hansard


"O amor vai te encontrar, é melhor você estar pronto". A seguinte frase combinada com esta boa surpresa do Glen Hansard é fatal.



15 - How - Regina Spektor


Esta música é uma facada no estômago. E seria em qualquer língua. A gente nem precisaria entender, na verdade, o que a Regina está cantando. Ela empresta todo o sofrimento que a canção contém com a sua - magnífica, diga-se de passagem - voz. Até agora eu não sei para onde o amor da Regina foi. Cheguei a interpretar como alguém que se foi pra sempre. Mas mesmo se ele estiver em uma esquina muito próxima à ela, envio minhas condolências.



14 - Death Proof - Kate Nash


Não é de hoje que a Kate Nash flerta com as suas intenções de fazer barulho. É só assistir uma apresentação da menina ao vivo para perceber que ela não se deixa predominar pela áurea fofinha que transpassou ao mundo em Made Of Bricks, seu primeiro álbum. Em Death Proof, carro-chefe de sua nova fase mais-do-que-assumida, ela é a mesma Kate de antes, mas, finalmente, liberta das garras que a prendemos. Parabéns, Kate!



13 - Freedom at 21 - Jack White



Se tem alguém que está de parabéns por largar sua banda de origem, este alguém é Jack White. Já tinha ovacionado seu trabalho de produtor em 2011, quando lançou as infelizmente-sumidas The Black Belles, que fizeram o melhor disco internacional do referido ano. Com Blunderbuss, o negócio realmente rendeu pro cara. E a gente deixa ele fazer um rap rock pelo bem da sociedade (com nenhuma aura de Linkin Park, vale ressaltar).



12 - Bruce Springsteen - We Take Care Of Our Own


O chefe é sempre o chefe. Ponto final.



11 - R U Mine? - Arctic Monkeys


"Você é minha amanhã ou só hoje à noite?". O Arctic Monkeys, outra banda que ganhou o troféu do parabéns em 2012, traduz a efemeridade das relações modernas em um single fora de seu último álbum, Suck It And See, e ganha o décimo primeiro lugar desta lista pela sinceridade. 



10 - Killer - The Skins


Crianças formam o The Skins, uma banda que parece fruto de um acasalamento rápido entre o The Black Keys e o Alabama Shakes. Enquanto você está aí, ralando para ser alguém, crianças fizeram uma das melhores músicas do ano. Temos que aceitar.



09 - Headache - METZ


Os estreantes do METZ trouxeram um trabalho tão inquieto como o Cloud Nothings de Baldi (ver abaixo). E a letra de Headache (aliás, quer algo mais incômodo e mais inquieto do que uma dor de cabeça) faz a carta de apresentação com maestria. Vale lembrar que esta é uma das novas apostas da Sub Pop, o que já merece um ouvido duplo de atenção.



08 - I Found You - Alabama Shakes


Alabama Shakes fez muita gente sorrir em 2012. Que álbum bom. Que voz. Que tudo. Para representá-lo nesta lista, escolhi a minha preferida: I Found You. I Found You vem para quebrar todas as canções de amor não-alcançados. Aqui, ela é a exaltação máxima da alegria de se encontrar aquela pessoa (aquela que lá fora eles chamam de the one). E dá pra gente sentir toda essa alma a cada palavra que sai da boca da Brittany. Demais.



07 - Thinkin' 'Bout You - Frank Ocean


Ah, o hype Frank Ocean... channelORANGE tá aí para provar que o negócio pode ser merecido mesmo, apesar de muita gente não ter comprado a história. Mas esta, com certeza, foi a melhor colaboração do Odd Future para a sociedade (onde se enfiou o menino Tyler the Creator?). E eu sintetizaria toda esta história, que envolveu desde a carta na qual Ocean se declarava homossexual até o sucesso de seu trabalho,  com uma das músicas mais expressivas dele: Thinkin' 'Bout You. 

Aperta o play e relaxa.



06 - Myth - Beach House


Em 2010, o Beach House lançou Zebra e disparou em muitos lugares entre as melhores faixas do ano com a incrível Walk In The Park, mais uma daquelas para tocar na alma e arrancar lágrimas dos desavisados que se identificam sem querer. A mesma fórmula é repetida em Myth - a dor é quase a mesma, os sentimentos são quase os mesmos e o Beach House é sempre o Beach House. Mas o efeito que a canção pode causar é certeiro. É como se o duo tivesse ganhado na loteria duas vezes com o mesmo número. Ponto para eles.



05 - Two Fingers - Jake Bugg


Jake Bugg. Você vai ouvir este nome feito febre durante os próximos meses. Pode ser que ele suma, pode ser que ele fique, pode ser que ele até fique, mas sumido. Só que o cara lançou um álbum que todo mundo tá falando sobre. Minha curiosidade chegou a tempo para conferir o trabalho e encontrar esta pérola: Two Fingers. Eu poderia pegar uma folha de sulfite em branco e começar a anotar o nome de todos os artistas dos quais me lembro ao escutar esta música. 

Mas quem se importa, na verdade? O negócio é bom. 

E vicia.



04 - Clear Eye Clouded Mind - Nada Surf


Para quem gosta de power pop, The Stars Are Indifferent To Astronomy, o disco que o Nada Surf lançou em 2012, é um prato cheio. Tanto é que é difícil dizer qual das faixas merece a sua total atenção. Este álbum me acompanhou por muito tempo durante o ano. Em momentos felizes e momentos péssimos. E muito devo a Clear Eye Clouded Mind.



03 - Cut You - Cloud Nothings


Este ano li uma entrevista com Dylan Baldi, o cérebro do Cloud Nothings, e algo que ele diz nesta entrevista me pegou de jeito. O menino falava sobre seu sucesso com a, agora, banda, seu segundo álbum, seus shows e tudo o mais, mas não parecia satisfeito: “Em Seattle, fiquei sentado em um McDonald’s por três horas – vi alguém ser eleito ‘Funcionário do Mês’ e ganhar uma placa na parede. Queria que algo legal acontecesse comigo alguma hora. Mas normalmente eu só fico esperando.”, declarou, ali aos seus 20 anos, para a Rolling Stone. 

Pela declaração de Baldi, dá para perceber que o crescimento repentino ainda não é muito bem digerido por sua mente, prestes a sair da adolescência e encarar o mundo adulto, de fato. E Attack On Memory é um álbum sobre inconstâncias, afinal. É doente, é nervoso, é um pedido de socorro ao mesmo tempo em que grita "por favor, me deixa fazer a minha música e pronto". Cut You sintetiza isso em forma de dor de cotovelo. Ao modo dele, é claro.



02 - 40 Mark Strasse - The Shins


O The Shins é aquela banda que a Natalie Portman acreditava que iria mudar a vida do Zach Braff, o que até nos inspirou uma coluna aqui em BACKBEAT. E, para honrar seu título, a banda continua lançando bons álbuns, e com Port Of Morrow não foi nada diferente. Um álbum para nos trazer boa música pop até dizer chega. E, destas tais boas músicas pop, não dá para não cair no encanto de 40 Mark Strasse e seu refrão capaz de arrancar seu acompanhamento vocal em segundos. "But you plaaaaaaay in the street at night...".



01 - Feels Like We Only Go Backwards - Tame Impala


Paixão à primeira audição. Foi o que uniu Feels Like We Only Go Backwards a mim em 2012, muito a tempo de figurar no primeiro lugar desta lista. O que eu gosto nela? O fato de ser uma música totalmente lisérgica, mas, ao mesmo tempo, sentimental até a última nota. Fala sobre um apaixonado cheio de esperanças, que quer seguir em frente, mas volta atrás porque sente que algo ainda vai vingar. E enquanto a letra nos traz isso, a melodia, em especial um dos baixos mais sedutores deste ano, nos carrega junto à história de maneira com que fiquemos na torcida por tal mente confusa. 

Mesmo que esta torcida não seja lá muito consciente.