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* por BACKBEAT - Imprensa

Ceano toca na festa de lançamento do BACKBEAT (Foto: Divulgação)

Na próxima quarta-feira (29), o site BACKBEAT faz seu lançamento oficial na cidade de Campinas (SP) com um mini-festival que irá levar bandas e stands para a Casa São Jorge, em Barão Geraldo

Na primeira edição, as bandas convidadas foram a Ceano, que traz seu repertório autoral, divulgando o EP O Último Andar e a estreia do projeto Retroflexo, com versões em voz, violões e bateria para músicas de gente como Tulipa Ruiz, Queens Of The Stone Age, Banda do Mar, Amy Winehouse, The Black Keys, Oasis, Arcade Fire, Tame Impala, The Strokes e muito mais. 

Nos stands, o livro Escuta Essa, lançado em versão online em 2013, faz seu lançamento físico após o projeto ser financiado via crowdfunding. Com 31 contos inspirados em canções da nova música brasileira, o livro estará disponível para venda, com cópias limitadas. 

O serviço de assinaturas de cachaça Quintal da Cachaça também irá disponibilizar um kit para sorteio entre os 50 primeiros que chegarem à festa. O projeto já foi destaque em veículos como Correio Popular, Folha de S. Paulo e InfoMoney

Além disso, a festa ainda ganha a discotecagem do DJ Wardo. Wardo é de Americana (SP) e lança seu primeiro EP no dia 25 de dezembro pelo selo indiano Ecstasy Records. Seu remix de Previsão do Tempo recebeu elogios de Marcos Valle, autor da canção. 

Criado com o objetivo de analisar a música a partir das "histórias por detrás dos fatos, as várias possibilidades de interpretação e a relação humana que temos com a música a partir do momento no qual colocamos nossos fones de ouvido e nos deixamos viajar", o site surgiu da vontade da jornalista Izadora Pimenta de ir "além", após quatro anos escrevendo sobre música independente e alternativa em outros veículos. "A ideia é trazer esse universo para uma festa própria também", destaca Izadora.

Serviço

Festa de Lançamento BACKBEAT + Escuta Essa - com Ceano, Retroflexo e DJ Wardo
29 de outubro de 2014, às 20h
Casa São Jorge - Avenida Santa Isabel, 655 - Barão Geraldo - Campinas/SP
Bilheteria: R$10 (preço único)
Confirme presença no evento!

Informações para a imprensa: 
BACKBEAT | Imprensa - oi@mybackbeat.com
Foto: Ana Telma



Como nós somos loucos por falar sobre as relações mais humanas que temos com a música, de um modo geral, nada mais justo do que convidarmos pessoas que também compartilham deste sentimento para passar por aqui e dividir um pouco da sua experiência musical. Assim, surge hoje uma nova coluna que irá trazer essas tais pessoas: pessoas que, mesmo dedicando suas vidas a outros assuntos, não perdem este vínculo com os fones de ouvido e com o que as músicas têm a dizer.

O Daniel é um velho conhecido aqui do pessoal da casa que opera na forma multiuso: é escritor, roteirista de cinema e TV e comunicólogo. Ao lado da noiva, ele montou a empresa de assessoria Build Up Media, voltada para companhias e artistas, após anos de experiência na indústria fonográfica. 

Recentemente, Daniel também lançou um site pessoal que traz textos e fala um pouco mais de seus planos futuros e de seu trabalho como escritor - já são três livros publicados e uma série de projetos em desenvolvimento.

Para o BACKBEAT, ele conta um pouco da experiência musical da sua vida, que você confere logo abaixo ;)

Qual é a música que mais te lembra sua infância?

Como criança que cresceu no subúrbio carioca, podia enumerar funks e pagodes. Mas lembro bem de Traumas, uma balada pesada e triste do Roberto Carlos. Uma das minhas avós ouvia sempre. 

Na casa da outra, lembro de uns sertanejos bem raiz. Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico, essas coisas. Foram tantas coisas tão diferentes entre si que parece que criei uma identidade musical no vácuo entre elas.


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Qual foi a primeira grande conquista da sua vida e qual a trilha sonora ideal pra ela?

Eu entrei na faculdade de cinema escondido. Falei pro meu pai que ia fazer publicidade. Tava morrendo de medo de nunca conseguir emprego. E meio que todo mundo desacreditava essa minha vontade de uma carreira ~artística~. Mas bem... no meu primeiro dia de aula, eu vi o Acabou Chorare em vinil vendendo na rua. Comprei felizão e fiquei o dia todo com aquele disco debaixo do braço. Calma, que isso vai fazer sentido... Naquele dia, com o LP de testemunha, eu consegui meu primeiro estágio. 

Voltei pra casa com aquela sensação de "consegui, porra". Coloquei o vinil na vitrola e berrei Mistério do Planeta. Foi um dos momentos mais lindos da minha vida. 



Como escritor, você também busca inspiração em música para criar? Quais são suas maiores inspirações e como é o processo criativo a partir delas?

Sim! Tive um professor na faculdade que batia muito na tecla que o cinema é áudio tanto quanto visual. E isso ficou em mim. Sempre que sento pra escrever eu penso, antes dos personagens e situações, no clima que aquela história vai ter. E a partir daí eu meio que crio uma playlist, mudo as músicas no celular. É uma loucura. Quando tá bem seminal, as músicas mudam quase todo dia. Minha noiva disse esses dias que não consegue acompanhar esse ritmo. Mas muito do que tenho pegado de influência vem dela, de sugestões dela. Acho que uma das coisas que tem me acompanhado bastante atualmente é o Paolo Nutini, que ela me apresentou. 

Além dele, tem um cara que meio que foi um choque descobrir: Vitor Ramil. Toda vez que ouço uma música dele é como se um universo diferente abrisse na frente. Indico.



Você também tem uma boa experiência com o mundo musical. Quais foram as experiências mais legais e o que elas trouxeram para você?

Eu não me lembro que artista me disse isso, nem quando, mas me falaram no começo da minha carreira com música pra nunca deixar que a arte virasse produto pra mim. Acho que essa foi a principal lição que trouxe. 

É um mundo muito frio feito do calor de show, de músicas e coisas feitas com a alma. Se você conseguir manter a paixão por música, conseguir aproveitar para conhecer seus ídolos (coisa que fiz), ver grandes caras criando na sua frente (também vi) e não ver isso como algo com um preço... Acho que já venceu nesse meio.

Se o mundo fosse acabar hoje e você tivesse que tocar uma música para ficar guardada na história da humanidade, qual seria essa música?

Olha, se eu pudesse passar uma mensagem pro universo do que nós somos atualmente acho que seria Tudo Vira Bosta da Rita Lee hahaha



Alguma música já mudou sua vida? 

Sim. Eu passei por um período de depressão e minha prima me ajudou sem nem saber, me apresentando bandas. Foi na época que conheci o Radiohead, que é minha banda favorita, e também PJ Harvey, Strokes, White Stripes... Mas nenhum disco ou música me ajudou tanto quando o Lost In Space, da Aimee Mann. Foi pelo lado pessoal. Parecia um amigo conversando, falando que ia ficar bem. Indico muito já a primeira do disco, Humpty Dumpty.

So better take the keys and drive forever
Staying won't put these futures back together
All the perfect drugs and superheroes
Wouldn't be enough to bring me up to zero


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Daniel ofereceu três cópias de seu livro "Tristes Camelos" para sortear entre os leitores do site! "Tristes Camelos", definido em seu site, é uma novela sobre obsessões. Sob o ponto de vista de um homem que não consegue lidar com um amor fracassado, a trama expõe personagens que permearam de modo quase desapercebido a vida daquele casal.

Para concorrer a uma cópia de "Tristes Camelos", comente neste post com um endereço de e-mail válido e cruze os dedos! O sorteio será feito na quinta-feira (23).


Já viraram frequentes as coletâneas de novos nomes da música brasileira homenageando discos clássicos e artistas essenciais. Também são frequentes as versões soltas para canções escolhidas a dedo para uma ocasião especial.

Mas o legal dessa história toda é que muita gente se dedica e consegue imprimir uma nova marca a uma canção já tão conhecida do grande público. Nós selecionamos 8 versões que irão fazer você enxergar músicas conhecidas com novos olhos - e ouvidos.

Confira:

O Terno promoveu a amizade entre o Tame Impala e o Clube da Esquina


Winter - Time

Por que não deve nada à original: O dream pop carismático trazido pela banda metade brasileira, metade americana, faz com que a canção do Pink Floyd flerte com uma nova geração (que cresceu ouvindo seus álbuns) tão inventiva quanto a década de 70. Na voz de Samira Winter, Time é uma canção ainda mais atual.

Mahmundi - Tarde em Itapuã

Por que não deve nada à original: A canção possui destaque para a exaltação da tarde em Itapuã com um instrumental ensolarado e minimalista, mas sem deixar de ser pop. 

Cícero - Barely Legal

Por que não deve nada à original: Ouvir a versão de Cícero para Barely Legal é como ouvir a música pela primeira vez. A leveza do violão carioca que explode em guitarra é uma extensão de seu primeiro trabalho, Canções de Apartamento. É uma faixa a mais para as 10 que marcaram sua estreia que também lhe trouxe grande visibilidade.



Single Parents - Slide Away

Por que não deve nada à original: Unir o britpop com o shoegaze, dois marcos dos anos 90, foi uma tacada de mestre. O pessoal da Single Parents desconstrói os irmãos Gallagher e traz a canção para si de uma maneira irresistível.

Phillip Long - Como Nossos Pais

Por que não deve nada à original: O Damien Rice brasileiro mora em Araras, no interior de São Paulo. Levar essa característica, somada ao ar interiorano, a uma canção de Belchior tão conhecida dos concursos de calouro, deixa a canção longe de se parecer com uma pérola batida e destaca a sua beleza de forma delicada.


O Terno - O Trem Azul

Por que não deve nada à original: Em um bar, o Tame Impala poderia dividir uma cerveja com o Clube da Esquina que não haveria perigo de conflitos na hora da escolha da marca. O Terno tratou de ser o garçom e brindou esta nova amizade como se ela sempre tivesse existido.

Vivian Benford - Cheia de Manias

Por que não deve nada à original: O Raça Negra é tão pop que merecia uma roupagem à altura, destacando suas composições e as histórias por detrás delas. Ao sair fora da caixa do pagode, Vivian Benford mostra o quanto Cheia de Manias pode ser plural.


SILVA - Mais Feliz

Por que não deve nada à original: Conhecida na voz de Adriana Calcanhotto, a composição de Cazuza se renovou com o tratamento fino feito por SILVA. É uma versão para ouvir de sorriso aberto.


Azealia Banks, Cícero e Real Estate estão na nossa lista

por Izadora Pimenta




Azealia Banks, eleita a cantora mais cool de 2011, acaba de soltar na web a sua versão de Barely Legal, uma das músicas mais amadas de Is This It?, o álbum de estreia do Strokes - às vésperas de dois novos lançamentos: tanto o novo single da rapper quanto o novo trabalho da banda novaiorquina, que deve sair agora em março.

Eu gostei tanto da versão de Azealia que achei válido relembrar por aqui algumas outras roupagens memoráveis para a faixa, como já fizemos com Thirteen, do Big Star.

Acompanhe aqui a lista:


1- Azealia Banks


Barely Legal com mil parafernalhas eletrônicas e pronta para encerrar uma balada fora do circuito alternativo? Azealia conseguiu com classe. Eu tocaria na minha festa.



2 - Cícero


A versão de Cícero para Barely Legal, que ganhou a mesma estética de sua estreia, Canções de Apartamento, foi feita especialmente para a coletânea Is This Indie (2011), do Rock 'n' Beats - da qual, por sinal, fui responsável pela produção. A novidade foi tão boa que a versão foi parar em várias listas de melhores do ano, de sites nacionais e gringos. O verso em português acrescentado pelo carioca é uma boa sacada.



3 - Real Estate


No mesmo ano que o Rock 'n' Beats, o Stereogum também lançou a STROKED, outra coletânea homenageando o Is This It. A versão de Barely Legal ficou por conta do Real Estate, que assim como Cícero, reduziu os ânimos da faixa e nos trouxe uma roupagem mais dreamy. 

Gostar de Strokes em 2013 é uma questão de devoção?




"O que está acontecendo com o Strokes?" - se perguntam alguns saudosos da introspecção de Is This It? desde que Angles saiu e Julian Casablancas passou a usar sneakers fosforescentes. E a pergunta continua agora, às vésperas do lançamento do quinto álbum da banda, Comedown Machine, acompanhada por ouvidos desconfiados.

One Way Trigger, a primeira faixa, causou estranhamento em boa parte das pessoas. "O Strokes andou entrando para o lado do tecnobrega?", apontaram, mesmo a faixa sendo facilmente relacionável com o A-Ha e seu hit Take On Me (ou então em uma música do Maná, dizem as más línguas). Até Gaby Amarantos, nossa maior representante do estilo atualmente, mandou o Strokes tremer.

Mas é só analisar um pouco do que já vimos para saber que tal construção não veio do nada. E que essa história de tecnobrega só existe se eles andaram ouvindo Banda Uó no repeat.

Cheio de elementos eletrônicos é o disco solo de Julian Casablancas, Phrazes For The Young, lançado em 2009. Os sintetizadores gritam no carro chefe do álbum, 11th Dimension, junto com uma frase que resume tudo: "não se atreva a chegar no topo e não saber o que fazer". E, desde tal época, muita gente tinha certeza de que era isso que o Strokes não iria conseguir: se sustentar em uma nova década, na qual salvações do rock são nomeadas aos quatro ventos e esquecidas em questão de segundos.


Em Angles, conseguimos ver uma continuação natural deste processo que Julian começou a tocar sozinho. Angles é diferente porque, acompanhando suas idades e suas novas responsabilidades, o Strokes largou o rock de moleque desleixado e começou a organizar seus discos e ideias. É perceptível, nas letras, composições mais maduras, mais cheias de sentido do que anteriormente. A banda também ousa a arriscar mais, sair dos mesmos riffs e elementos. Angles, portanto, é um álbum mais rico - aquele momento de chutar o balde e também parar de pensar com o cérebro da gravadora. Mas também é um álbum confuso, perdido, sem conexão: os discos foram escolhidos, mas ainda falta organizá-los em ordem alfabética.



Comedown Machine deve chegar logo vazado para o público em geral, mas algumas redações de publicações importantes de música já estão com ele em mãos. Os comentários dos jornalistas em geral resumem que o novo trabalho é "muito anos 80", como já aponta a faixa que conhecemos. Mas vale destacar o que foi dito por Ben Homewood, da The Fly:


O novo álbum dos Strokes é muito interessante de se ouvir. Julian é tão cortês e sexy, até mesmo o pedaço que soa como que está lá para matar é bom e as músicas são de agarrar sua atenção. A última música soa bem se você ouvir enquanto beija alguém, talvez em uma sala de chá costeira e elegante. É muito romântico e soa como os velhos tempos. 

Jenny Stevend, da NME, descreve Comedown Machine como uma "montanha russa emocional", que soa metade como o novo álbum do Strokes, metade como o novo álbum do Phoenix.

All The Time, o primeiro single do álbum:



Niall Doherty, da Q Magazine, que admite publicamente não gostar de Angles, como aponta o The Strokes Brasil, também gostou do álbum, apontando que "eles parecem estar se divertindo", em relação aos boatos de que, ultimamente, os integrantes nem se falavam muito. E uma união maior dos integrantes pode ajudar bastante na organização de ideias de Angles, nas quais as ideias musicais que conhecemos de projetos como Nickel Eye, Little Joy e o solo de Albert Hammond Jr. devem se encontrar e construir um bem em comum.

Não dá, no entanto, para saber o que esperar dos elementos surpresa que o Strokes nos trará com este novo trabalho. Mas parece que a tentativa de mudar é na base do "take it or leave it": ou você aceita que o caminho da banda é outro e aprende a gostar até mesmo de seus defeitos, ou vai ouvir as várias outras coisas novas que vêm surgindo dia após dia (só não caia neste papo de "salvação do rock").

Gostar de Strokes em 2013 pode ser uma questão de devoção, como um pedido de casamento desajeitado com um anel de plástico que "posteriormente será trocado por um melhor, querida, eu juro". 

Eu aceito. 

E você?






Ou como a história da Rainha da França mais odiada da história entrou em nossos corações com o talento de Sofia Coppola



Tenho certeza de que quando a jovem diretora Sofia Coppola recebeu todas as críticas em 2006, na estreia de Maria Antonieta em Cannes, nem ela, ou muito menos, os críticos imaginaram que o longa se tornaria referência pop para dezenas de pessoas mundo afora. Historicamente, é bem possível que o filme seja falho, mesmo considerando o prêmio de Cinema Prize of the French National Education System em Cannes. Mas é de se duvidar um pouco da veracidade dos fatos a partir do momento em que Coppola transformou uma das precursoras da Revolução Francesa em ídolo pop. Sim, nós amamos a Maria Antonieta de Kristen Dunst e adoramos sua trilha sonora que fez questão de fugir ao máximo do século XVIII.

A biografia da Rainha da França nos faz sonhar com os luxuosos palácios franceses e com o impecável figurino (e a famosa cena do All Star, já que se Antonieta fosse viva, definitivamente ela usaria um belo par). Mas sua trilha sonora, sem dúvida, traduz os sentimentos da austríaca Maria Antonieta forçada a um casamento político fadado ao fracasso. E não é de se estranhar que algumas vezes a trilha pareça adolescente demais, mas é justamente por isso que ficou genial.



Inicialmente, a trilha nos engana. Calma e clássica, ela segue o espírito de Maria Antonieta, que não entende muito de Versalhes e demora a entrar no ritmo. Mas, depois das aulas de etiqueta e da rotina estressante e dispensável, a jovem austríaca se liberta e começa a fazer a festa com o dinheiro do povo francês. É aí que começa a entrar Pulling Our Weight, I Don’t Like It Like This e Keen on Boys, do The Radio Dept, Aphrodisiac e I Want Candy, do Bow Wow Wow, The Melody Of A Fallen Tree, do Windsor For The Derby 8 e Ceremony, do New Order. O auge da trilha fica por conta de Fools Rush In, na versão do Bow Wow Wow, em um momento de libertação de Maria Antonieta, Plainsong, do The Cure, na cerimônia de coroação da nova Rainha, What Ever Happened, do The Strokes, enquanto a jovem sofria de amor pelo amante a caminho da guerra e, ao final, All Cats Are Grey, também do The Cure, que transparece perfeitamente o fim crítico da Delfina.

A trilha traz principalmente o espírito das bandas citadas, mas é também composta pelas instrumentais Opus 36 e Opus 17, de Dustin O’Halloran, que traz o lado doce de Antonieta, Natural’s Not In It, do Gang Of Four, que dá o ponta pé inicial ao longa e Concerto In G, de Roger Neill, que acompanha a agonia da jovem no palácio de Versalhes e sua incessante rotina.


Listar todas as músicas que compõem a trilha é um desafio. Principalmente, por suas canções inseridas em momentos certos, e que claramente, transformaram Maria Antonieta em um personagem ainda mais famoso e popular quase três séculos após o fim de sua história, Sofia Coppola conseguiu mais uma vez entrar em nossas listas de filmes e trilhas preferidas e fez, a partir de uma história batida e antiga, um autêntico filme do século 21.


A difícil vida de sair em defesa de "Angles", do Strokes






Não é fácil ser apaixonada por algo que muita gente odeia. Ao primeiro comentário que procura falar mal da tal paixão, o sangue já começa a subir, as narinas começam a inflar e a vontade é aplicar um golpe aprendido no taekwondo em quem cometeu a injúria. Mas a sorte é que, com o tempo, aprendemos também a desenvolver uma paciência necessária para lidar com este sentimento particular. Em 2011, tive o prazer de ser uma das únicas defensoras com unhas e dentes de Angles, o último álbum lançado pelo Strokes.

Mas por que me apaixonei tanto por ele? Não saberia explicar, ao certo. Só sei que quando escutei o álbum pela primeira vez, eu estava deitada na minha cama e questionando o caráter randômico entre as faixas, como todo mundo. Metabolism me parecia horrível, a perfeita tradução do encontrar feijão no pote de sorvete, enquanto Life Is Simple In The Moonlight e Taken For a Fool me pegaram pelo coração de primeira. Mas entre o coaching e o SEO, entre as caminhadas pelo Guanabara ou pelo Cambuí, entre conversas de elevador e madrugadas sonolentas, Angles insistiu por fazer parte da minha vida, e, pouco a pouco, eu passei a amar estar com ele e amar também todos os seus defeitos.



Vamos dizer que, na verdade, começou assim: um dia nós resolvemos conversar de verdade, diferente dos "oi e tchaus" ocasionais no shuffle. E quando nós começamos a conversar de verdade, aí eu vi que as coisas iriam começar a mudar. Angles me acolhera confortavelmente, como se fôssemos velhos amigos. Logo já cantávamos muitas canções juntos. E, quando dei por mim, estávamos em um sério relacionamento que ninguém mais poderia questionar.

Se você me perguntar o que há de bom em Angles, não vou conseguir responder racionalmente. Sei que o bom dele é totalmente passional. É onde imprimi, por um tempo, minha vida verso a verso e vice e versa - e acredito que essa é uma das coisas que fazem a gente realmente nos conectar com um álbum. Sentir que estamos em sintonia com ele. Angles é sobre tudo isso que passou enquanto eu estava com Angles. E Angles também é um Strokes que está aprendendo a abaixar a tampa da privada, um Strokes necessário. Sentia que, como a banda havia imposto ali a sua necessidade de amadurecer, eu, que estava me acostumando com a vida de ficar fora de casa o dia inteiro para tocar o futuro, estava na mesma situação. Éramos parceiros de crime.



É como se Angles representasse um plano de ideias. Um plano de ideias apresentado após um tempo fora, que serviu para clarear as ideias do que fazer quando crescer. Mas é claro que, neste plano de ideias, as coisas ainda não estão muito maduras. Angles é um cara que ainda depende do dinheiro dos pais para tocar a vida. Pode ser que o próximo trabalho do Strokes - e nós estamos sempre esperando para que ele venha logo, tipo em 2013 - soe totalmente diferente. Pode ser que Julian Casablancas volte a se vestir melhor. As coisas ainda se encontram um tanto quanto desajustadas, mas nós já sabemos que há um caminho por aí. Ou não, nunca se sabe.

Angles continuou me acompanhando. Garrafas de Heineken e restaurantes por quilo. Passeando pelas ruas da cidade, sempre disfarçado de trajes de bom moço dentro dos meus fones de ouvido. Me condicionou em um amor eterno, uma devoção desajustada. Até que um dia, naturalmente, decidimos seguir nossos próprios caminhos. 

Apaixonar-se por outros álbuns é inevitável. São outras situações, outros momentos, outra realidade. Mas eu sempre vou querer saber se Angles está bem, checando seu estado de vez em quando, com uma canção ou outra. 

E sempre vou torcer o nariz para quem vier falar mal dele para mim.





Depois do sucesso de The Suburbs, quais os caminhos que os canadenses irão seguir em seu temido quarto álbum?

por Ana Clara Matta



Eu tenho medo. Caro leitor, eu lhe autorizo a ler a frase anterior com a voz de Regina Duarte. Mas é a maior verdade que eu posso dizer agora: eu tenho medo. Um dos maiores desdobramentos do fanatismo (e eu não tenho nenhum medo de descrever minha relação com a minha banda favorita como fanatismo) é aquela fé cega de que tudo que o objeto de sua admiração produziu ou produzirá no futuro será genial e impecável. Essa característica do fanatismo, curiosamente, escapou ao meu radar. E a cada ano em que o Arcade Fire não me decepciona (e eles nunca me decepcionaram), sobra a sensação de que o momento em que eles me decepcionarão está próximo. Talvez eu sou cética demais para acreditar em uma carreira impecável aos meus ouvidos. Ou talvez, o que fica na memória, me torturando, é o meu lado crítico que não se cansa de analisar os passos das bandas da cena Indie dos últimos anos.

Seria inevitável o lançamento de um quarto álbum fraco? Afinal, foi o que fizeram The Strokes, The Killers, Arctic Monkeys... O momento do tropeço em busca de mudanças sonoras e novos ares parece quase inevitável no rock dos anos 00. Mas se a minha paranoia aponta para um quarto álbum fraco dos canadenses que lá com sua estreia, o intenso Funeral, conquistaram meu coração, todos os fatos apontam para um disco brilhante. E são os fatos que devem ganhar os holofotes.

A análise do futuro de um disco envolve vários elementos. Um deles, por exemplo, é o momento criativo da banda. Além do relançamento, em 2011, do maduro e belíssimo The Suburbs em edição deluxe, com faixas bônus e duas músicas inéditas que acompanham facilmente o padrão de qualidade da banda, em 2012 o Arcade Fire lançou Abraham's Daughter, canção tema do filme Jogos Vorazes. A faixa tem uma ressonância metafórica com o filme, e com o livro que o originou, interessantíssima, e é ousada, relembrando os momentos mais cristalinos de Neon Bible. O Arcade Fire nunca parou, e tudo indica que a criatividade está tão afiada quanto nos últimos anos.



O produtor também é um elemento importante em um álbum. Fãs como eu já estariam satisfeitos com a batuta de Markus Dravs, comandante de Neon Bible e The Suburbs. Mas só estaríamos satisfeitos porque não conhecíamos os outros prognósticos, as outras possibilidades. Agora, temos no horizonte uma colaboração épica. Não espere hits - pois James Murphy, frontman do genial LCD Soundsystem, está no comando, e ele talvez não faça hits. Isso está, de fato, acontecendo. Se Win Butler nomeou e participou do filme Shut up and play the hits, da finada banda de Murphy, a retribuição chega na forma do disco dos sonhos daqueles que cresceram entre Sounds of Silvers e Funerals.

Sobre as influências e a temática sonora do disco? Bem, essa parece apontar para todos os lados, se levarmos em consideração todas as entrevistas da banda pós-lançamento de The Suburbs. Os saudosos podem se alegrar porque a banda anunciou que o sucessor de Suburbs deve retomar o som mais grandioso de Funeral. A aura de mais do mesmo, porém, é quebrada a partir do instante que influências de country e jazz foram indicadas pelo grupo em entrevistas.

Ok, o meu medo tem, sim, fundamento. A pressão nunca esteve tão grande sobre os ombros de Win, Will, Régine e cia. O último disco surpreendeu e levou quase todos os prêmios de respeito na indústria musical para casa, e agora, todos os olhos estão voltados para um certo estúdio em Montreal. Será que voltar às raízes do Funeral não seria perder a maturidade silenciosa conquistada no Suburbs? Será que continuar no atual ritmo de evolução para algo mais melancólico drenará a energia tão célebre da banda? Essas são só suposições de uma fã angustiada. O que importa são os fatos. E esses? Bem... guarde um espaço na sua lista de melhores do ano em 2013.



Karina Pilotto fala sobre um animal que está muito presente no mundo da música

por Karina Pilotto




Sem nenhum motivo especial, a dúvida surgiu na minha cabeça em um dia desses quando as questões aparecem para substituir o tédio: qual será o motivo da obsessão dos músicos por elefantes? Não sei se já repararam nisso, mas esse animal está mais presente nas nomenclaturas musicais do que nas matérias do Animal Planet. Por quê? Podem achar que estou enlouquecendo, mas tenho muitos exemplos que justificam essa interrogação:

(Se você não está aqui só por novidades, pule para a última opção da nossa “manada”)

* Tame Impala - Elephant 


Tudo começou por aqui. Tame Impala foi eleito com a melhor música do ano pelo próprio BACKBEAT e com o melhor álbum de 2012 pela NME. Mas grande mesmo é Elephant, hit do Lonerism. Dizem os asiáticos que os elefantes são sagrados, e até aparecem personificados como deuses na cultura indiana. Será que o nome responsável por trazer essa energia positiva poderá trazer mais bons frutos ao Tame Impala?



* White Stripes - Elephant


Este é meu álbum favorito da minha banda favorita. Ele está repleto de clássicos do White Stripes, entre eles Seven Nation Army, que se tornou uma das músicas mais tocadas, ouvidas e cantadas do século. Inclusive no clipe desta música, todo composto por sobreposição de imagens em vermelho, branco e preto, aparece um elefante em uma mensagem subliminar. Já tinha percebido? Existem outras, repare:



* Cage the Elephant


Quer mais moral do que ser convidado pelo próprio Dave Grohl pra tocar na turnê do Foo Fighters, com apenas seis anos de banda? Quer mais moral ainda do que o queridinho do rock se propor a ser o baterista substituto? Eles passaram por aqui no Lollapalooza, e se jogaram (literalmente) no público, fazendo um dos melhores shows da primeira edição do festival no Brasil.



* ElefanTEs


Não são só os gringos que fazem uso desse animalzinho em seus trabalhos. Na canção Vagalumes Cegos, do Cícero, ele usa os elefantes no meio da letra ("elefantes brancos, vagalumes cegos...). E tem também a banda Pata de Elefante, lá do sul do país, que chegou a ganhar um VMB em 2009 na categoria Instrumental.



Pensa que acabou? Tem a famosa Elephant Gun, do Beirut; Elephant, do Damien Rice; Elephant Song, do Strokes; Elephant Stone, do Stone Roses... E por último, mas não menos importante, gostaria de apresentá-los ao mais novo elefante que surgiu em minhas paradas musicais nos últimos dias. O Escuchando Elefantes é uma dupla espanhola e está desde 2009 conquistando corações com covers e músicas próprias. São muito pequenos ainda, mas acredito que têm muito potencial pra ficarem tão grandes quanto o próprio animal do nome.