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* por BACKBEAT - Imprensa

Ceano toca na festa de lançamento do BACKBEAT (Foto: Divulgação)

Na próxima quarta-feira (29), o site BACKBEAT faz seu lançamento oficial na cidade de Campinas (SP) com um mini-festival que irá levar bandas e stands para a Casa São Jorge, em Barão Geraldo. 

Na primeira edição, as bandas convidadas foram a Ceano, que traz seu repertório autoral, divulgando o EP O Último Andar e a estreia do projeto Retroflexo, com versões em voz, violões e bateria para músicas de gente como Tulipa Ruiz, Queens Of The Stone Age, Banda do Mar, Amy Winehouse, The Black Keys, Oasis, Arcade Fire, Tame Impala, The Strokes e muito mais. 

Nos stands, o livro Escuta Essa, lançado em versão online em 2013, faz seu lançamento físico após o projeto ser financiado via crowdfunding. Com 31 contos inspirados em canções da nova música brasileira, o livro estará disponível para venda, com cópias limitadas. 

O serviço de assinaturas de cachaça Quintal da Cachaça também irá disponibilizar um kit para sorteio entre os 50 primeiros que chegarem à festa. O projeto já foi destaque em veículos como Correio Popular, Folha de S. Paulo e InfoMoney. 

Além disso, a festa ainda ganha a discotecagem do DJ Wardo. Wardo é de Americana (SP) e lança seu primeiro EP no dia 25 de dezembro pelo selo indiano Ecstasy Records. Seu remix de Previsão do Tempo recebeu elogios de Marcos Valle, autor da canção. 

Criado com o objetivo de analisar a música a partir das "histórias por detrás dos fatos, as várias possibilidades de interpretação e a relação humana que temos com a música a partir do momento no qual colocamos nossos fones de ouvido e nos deixamos viajar", o site surgiu da vontade da jornalista Izadora Pimenta de ir "além", após quatro anos escrevendo sobre música independente e alternativa em outros veículos. "A ideia é trazer esse universo para uma festa própria também", destaca Izadora.

Serviço

Festa de Lançamento BACKBEAT + Escuta Essa - com Ceano, Retroflexo e DJ Wardo
29 de outubro de 2014, às 20h
Casa São Jorge - Avenida Santa Isabel, 655 - Barão Geraldo - Campinas/SP
Bilheteria: R$10 (preço único)
Confirme presença no evento!

Informações para a imprensa: 
BACKBEAT | Imprensa - oi@mybackbeat.com

Segundo álbum da trilogia do Green Day coloca em teste a iniciativa inusitada do trio

por Izadora Pimenta




Na última apresentação do Green Day em São Paulo, em 2010, o show teve três horas e dez minutos de duração. É um tempo considerável para saciar os fãs que esperavam há anos por uma vinda do trio ao Brasil. As tais três horas e dez foram recheadas com firulas decorativas como Billie Joe Armstrong atirando camisetas para a plateia ou, então, dando selinho no rapaz que subiu ao palco para tocar Longview (de Dookie, 1994). Outras músicas fora do repertório dos americanos, como Hey Jude e Sweet Child O' Mine, também serviram para preencher tudo aquilo. Apesar do teste de paciência, deu para perceber que o Green Day é mesmo essa banda que vem gostando de alguns certos exageros. Tipo o jornalista que chora ao ver o editor cortando sua matéria. E esta é exatamente a ideia da trilogia de 36 músicas da qual, agora, pudemos conhecer o segundo álbum, ¡Dos!:  não deixe nada de fora e conte com a sorte da aprovação.

Dá para dividir o Green Day em duas bandas. Esta divisão é claramente marcada por American Idiot, a opera rock lançada em 2004 que lhe rendeu uma certa explosão comercial. Em American Idiot, o Green Day trouxe algo incomparável com seus trabalhos anteriores, mostrando que conseguia se adaptar a uma nova realidade musical. Mas parece que, desde então, encontrou também seu ponto confortável. Depois do decepcionante 21th Century Breakdown, a trilogia que começou com ¡Uno! e terminará com ¡Tré! é uma prova de fogo para provar que eles conseguem mudar o disco da vitrola. E fazer um disco triplo, na verdade, não é nada inédito: All Things Must Pass, de George Harrison, considerado um dos grandes álbuns da história, foi o primeiro. Em ¡Dos! já temos algumas impressões do que a iniciativa poderá render para o trio.




¡Dos!  foi definido pelo próprio Armstrong em entrevista a Rolling Stone como "um rock mais garageiro, meio anos 60" - um álbum para se sentir dentro de uma festa. A influência é evidente ao longo das faixas, mas nós também podemos encontrar elementos do grunge (Wow! That's Loud) e do power pop (Fuck Time). Há também um flerte com o indie rock. Lady Cobra, por exemplo, poderia muito bem ser cantada por Alex Turner à frente do Arctic Monkeys, assim como a livremente-inspirada-em-The-Clash Kill The Dj, de ¡Uno!, que é daquelas que nós julgamos que fica bem em uma pista de dança.

Na trilogia, as letras mais políticas dão espaço a composições sobre temas mais cotidianos. Tudo porque, com ela, a banda vem com a intenção de juntar bateria, baixo, duas guitarras e vocais de modo com que o recado fosse simples, direto ao ponto, em um processo marcado por escrever no papel tudo o que vinha à mente. Tal processo é prejudicial e perceptível em faixas como Lazy Bones, um frio ode à canseira que, não fosse a sua ótima melodia, poderia ser facilmente descartado.

Mas há também um problema que o Green Day vem enfrentando: a falta de criatividade nos riffs e construções. Stray Heart, uma das mais atrativas de ¡Dos!, começa em um agradável rockabilly e acaba caindo em uma estrutura musical parecida com também ótima Letterbomb, de American Idiot. A qualquer momento é possível imaginar que o refrão irá explodir em "It's not over 'till you're underground...". Problema que já havia enfrentado Nuclear Family, de ¡Uno!, que lembra a faixa-título do álbum de 2004.


Stray Heart:



Letterbomb:




No entanto, o Green Day também abre espaço para surpresas ao nos apresentar a inusitada Nightlife. Um hip hop com um leve toque punk que conta com a participação de Lady Cobra, vocalista de uma banda da Califórnia que ganhou a atenção de Billie Joe, chamada Mystic Knights Of The Cobra. A moça ainda serviu de inspiração para a tal-faixa-que-deveria-ser-de-Alex-Turner, e todo o seu conceito parece ser um objeto de desejo de resgate da juventude da banda, que não costuma trabalhar com colaborações.

Amy, a homenagem a Amy Winehouse, foge do lugar comum de baladas anteriores da banda como Time Of Your Life, Boulevard Of Broken Dreams, Wake Me Up When September Ends e a mais recente 21 Guns. Tocada apenas na guitarra, ganha uma característica amadora ao encerrar o álbum, mas esta acaba sendo uma saida bastante charmosa da banda, fechando um ciclo, já que See You Tonight se inicia da mesma maneira - elas são as músicas de entrar e sair na festa que o Green Day promete.

Resta saber o que ¡Tré! nos reserva para tomar conclusões decisivas sobre a corajosa aposta do Green Day - já é prometido que ele vem em uma pegada mais "épica", mais "reflexiva". E que Billie Joe Armstrong resolva seus problemas para que a banda possa voltar a fazer turnês e shows de cinco horas, provavelmente - para delírio dos fãs mais corajosos, que devem estar sempre prontos para aprovar de pé.

Tracklist:

01 – See You Tonight
02 – Fuck Time
03 – Stop When The Red Lights Flash
04 – Lazy Bones
05 – Wild One
06 – Makeout Party
07 – Stray Heart
08 – Ashley
09 – Baby Eyes
10 – Lady Cobra
11 – Nightlife
12 – Wow! That’s Loud
13 – Amy