Tropicália: conceito e movimento

A estudante de jornalismo Marina Filippe conta sua experiência com o documentário e os senhores que cochichavam em exibição na Rua Augusta

por Marina Filippe




Tropicália é um documentário que, a primeiro momento, incomoda. Em uma estética diferente, na qual as músicas são tocadas inteiras, ao mesmo momento em que podemos ver um vasto arquivo de imagens - sem muitos depoimentos diretos, como ocorre em Uma noite em 67 - chegando a ser para os mais desacostumados com o tema, um arquivo desconexo, meio sem referências, entre aquelas não tão estranhas datas de 1967 até 1969.



Não devo deixar de ressaltar os presentes depoimentos de Caetano, Gil, Tom Zé, Mutantes (separados) e também Rogério Duprat, na mescla de gravações atuais e passadas, valendo se até dos momentos de exílio de alguns deles (aliás, que depoimento cômico e, ao mesmo tempo, incrível apresentado por Tom Zé!). 

Outro detalhe muito interessante foi assistir ao filme no cinema do Itaú Cultural, na Rua Augusta e entender que grande parte do movimento acontecia por ali, com as ideias fervendo na Av. São João e os shows intensos na Bela Cintra. Isso sem falar dos muitos senhores que cochichavam durante a sessão - sendo esse um cochicho bom, que me despertou a curiosidade ao imaginar a possibilidade daquelas pessoas estarem lá, quando tudo acontecia. 

Ao fim, estes mesmos senhores bateram palma, não para a tela do cinema.Penso eu que batiam palma pelos mesmos motivos que se jogavam bananas e insultos enquanto Caetano proliferava frases, ao som dos Mutantes de costas para a plateia. Afinal, “vocês não estão entendendo nada, nada, nada!”.


0 comentários:

Postar um comentário